Extradição por país

Advogado de extradição em Charleroi: tribunal e procedimento local

Numa solicitação de extradição comum em Charleroi, o tribunal local de primeira instância é o Tribunal de première instance du Hainaut — division Charleroi (tribunal de primeira instância de Hainaut, divisão de Charleroi). A sua chambre du conseil (câmara do conselho) pode declarar executável um mandado de detenção estrangeiro, mas não toma a decisão governamental final. Nos termos do artigo 3.º da Lei belga da Extradição, de 15 de março de 1874, a chambre des mises en accusation (câmara de acusação) da Cour d’appel de Mons (Tribunal de Recurso de Mons) envia um parecer fundamentado ao ministro da Justiça. Se o pedido se basear num mandado de detenção europeu (MDE), aplica-se um procedimento judicial de entrega distinto.

Comece por identificar o instrumento jurídico e o local da detenção. Uma detenção no aeroporto de Charleroi, uma detenção noutro ponto da área da divisão de Charleroi e a prisão na Prison de Jamioulx podem exigir contactos iniciais diferentes.

Que tribunal ou autoridade de Charleroi intervém primeiro?

O tribunal de primeira instância de Hainaut tem divisões em Charleroi, Mons e Tournai. A área de Charleroi inclui os seus cinco cantões e os cantões de Beaumont-Chimay-Merbes-le-Château, Binche, Châtelet, Fontaine-l’Évêque, Seneffe e Thuin.

InstituiçãoFunção e informação local
Tribunal de première instance du Hainaut — division CharleroiNa extradição comum, a chambre du conseil pode declarar executável um mandado estrangeiro ao abrigo do artigo 3.º. Endereço: Avenue Général Michel 2, boîte 1, 6000 Charleroi; a secretaria está aberta nos dias úteis das 08:30 às 12:30 e das 13:30 às 16:00.
Contacto geral do tribunalA página oficial de contactos indica 02 682 19 45. Peça para ser encaminhado para a secretaria competente; a página não publica um serviço específico de extradição nem um calendário de audiências.
Parquet du procureur du Roi de CharleroiO Ministério Público local participa no processo penal; numa detenção provisória, podem ser relevantes o procurador e o juiz de instrução do local onde a pessoa é encontrada. O sítio oficial identifica o Parquet de Charleroi, mas não confirma qual o procurador responsável por um processo concreto.
Cour d’appel de Mons — chambre des mises en accusationEsta câmara emite o parecer previsto no artigo 3.º e aprecia recursos pertinentes contra decisões do tribunal de instrução de primeira instância. A sua jurisdição abrange as divisões de Hainaut, incluindo Charleroi; a sede fica em Mons.
Police Aéronautique no aeroporto Brussels South CharleroiA polícia aeronáutica da Polícia Federal realiza controlos nas fronteiras externas e outras funções policiais neste aeroporto. Um alerta de fronteira pode desencadear uma intervenção policial, mas a polícia aeroportuária não decide sobre extradição ou entrega.
Prison de JamioulxEstabelecimento prisional oficial na região de Hainaut. Não presuma que todas as pessoas detidas em Charleroi ficam aí: confirme o local efetivo de detenção e o número prisional através do advogado ou da autoridade responsável.

Como avança um processo de extradição comum em Charleroi?

Para um pedido que não esteja abrangido pelo sistema normal do MDE entre Estados-Membros da União Europeia, aplica-se a Lei belga da Extradição, de 15 de março de 1874, juntamente com o tratado pertinente com o Estado requerente. O artigo 3.º estabelece duas fases distintas. Primeiro, a chambre du conseil do tribunal de primeira instância do local onde a pessoa reside na Bélgica ou pode ser encontrada pode declarar executável o mandado de detenção estrangeiro. Segundo, após a pessoa ser encarcerada com base no documento devidamente notificado, a chambre des mises en accusation do tribunal de recurso do distrito onde ocorreu a detenção envia um parecer fundamentado ao ministro da Justiça. Se a detenção ocorrer em Charleroi, o tribunal de recurso competente é a Cour d’appel de Mons.

O artigo 3.º exige que os documentos e o parecer fundamentado sejam devolvidos ao ministro no prazo de uma quinzena a contar da receção dos documentos pela câmara. Não se trata de um prazo de 15 dias para concluir o processo inteiro: a transmissão dos documentos, a revisão da detenção, a audiência consultiva e a decisão ministerial são etapas distintas.

Se a chambre du conseil declarar executável o mandado estrangeiro, a pessoa deve interpor recurso no prazo de 24 horas após a notificação formal dessa decisão. O recurso é apreciado pela chambre des mises en accusation da Cour d’appel de Mons. Para a pessoa detida, o prazo começa com a notificação que lhe é feita, e não com uma comunicação posterior ao advogado. O Tribunal de Cassação belga confirmou este início do prazo na decisão de 26 de outubro de 2022, P.22.1234.F; não presuma que a falta de tradução prolonga automaticamente o prazo. Peça ao advogado que verifique de imediato o comprovativo da notificação.

O artigo 5.º permite a detenção provisória urgente. Ao abrigo desta via nacional, a pessoa deve ser libertada se o mandado estrangeiro não lhe tiver sido comunicado no prazo de 40 dias a contar da detenção. Este não é o prazo para concluir o processo inteiro de extradição: o tratado aplicável ao Estado requerente pode prever um requisito ou um momento inicial diferente. Guarde os documentos recebidos e peça ao advogado que confirme o instrumento aplicável e as datas.

O exequatur judicial (autorização para executar na Bélgica um mandado estrangeiro) não é a decisão final de extradição, e o parecer da câmara de recurso não substitui a decisão ministerial.

O que fazer se a detenção ocorrer no aeroporto Brussels South Charleroi?

A Police Aéronautique da Polícia Federal atua no aeroporto Brussels South Charleroi. Se surgir um alerta de fronteira, pergunte se a polícia está a executar um MDE, um mandado estrangeiro relacionado com uma extradição comum ou uma notificação da INTERPOL associada a um pedido separado.

Uma Notificação Vermelha da INTERPOL não é uma sentença belga nem uma decisão final de extradição. Se a família só tiver uma notificação, consulte o guia para verificar uma Notificação Vermelha. Registe a hora da detenção, a unidade policial, os dados do voo e o Estado requerente; não presuma onde terá lugar a primeira audiência.

Que prazos se aplicam a um MDE e não à extradição comum?

A Lei belga de 19 de dezembro de 2003, na sua versão alterada, regula os MDE entre Estados-Membros da União Europeia. A pessoa deve ser apresentada a um juiz de instrução no prazo de 48 horas a contar da privação efetiva da liberdade; a chambre du conseil decide sobre a execução no prazo de 15 dias a contar da detenção. Estes prazos dizem respeito ao MDE, não à extradição comum. Para o procedimento europeu geral, consulte o guia sobre detenção e entrega ao abrigo de um MDE.

A decisão de primeira instância sobre um MDE pode ser impugnada perante a chambre des mises en accusation no prazo de 24 horas. Para a pessoa procurada, o prazo começa com a notificação à própria pessoa ou no domicílio eleito; o recurso é apresentado por declaração na secretaria do tribunal de primeira instância. O Tribunal de Cassação belga esclareceu que as 24 horas para o recurso relativo ao MDE não são contadas hora a hora: o recurso pode ser apresentado durante o horário de funcionamento da secretaria no dia útil seguinte à notificação (Cass., 9 de novembro de 2021, P.21.1343.N). Não aplique esta regra de contagem ao recurso distinto contra o exequatur na extradição comum, cujo prazo rigoroso a contar da notificação é explicado acima. A câmara de recurso deve decidir no prazo de 15 dias após o recurso. Desde 2 de agosto de 2026, o artigo 17.º exclui recurso de cassação contra essa decisão de recurso. O artigo 18.º em vigor estabelece um prazo-base de 60 dias desde a detenção para a decisão definitiva. O n.º 1 do artigo 19.º continua em vigor: em casos específicos em que o MDE não possa ser executado dentro de 60 dias, o Ministério Público deve informar sem demora a pessoa e a autoridade judiciária de emissão dos motivos; o prazo pode ser prorrogado por 30 dias. Nos termos do n.º 2, se, em circunstâncias excecionais, não houver decisão definitiva em 90 dias, o Ministério Público informa o procurador federal, que comunica os motivos ao Eurojust. A alteração de 2026 revogou apenas os n.os 3 e 4 do artigo 19.º. Estes mecanismos condicionais não constituem uma prorrogação automática em todos os processos. Consulte o guia belga sobre extradição para o enquadramento nacional.

É possível contestar a detenção enquanto o processo está pendente?

A via depende do fundamento e da fase da detenção. Na fase do mandado provisório prevista no artigo 5.º, o pedido de liberdade provisória é apresentado à chambre du conseil. Depois de o mandado estrangeiro ser declarado executável e notificado, o advogado deve identificar de imediato o fundamento atual da detenção e a via de controlo judicial disponível nessa fase; esta é distinta do recurso contra o exequatur.

Na decisão de 8 de janeiro de 2025, P.24.1788.F, o Tribunal de Cassação considerou que um tribunal de recurso não pode afastar como irrelevantes alegações fundamentadas de que a extradição exporia a pessoa a prisão perpétua sem possibilidade real de revisão e a condições prisionais desumanas. O tribunal deve fazer um controlo prima facie da regularidade do pedido de extradição que sustenta a detenção. Isto não significa que uma alegação conduza automaticamente à libertação.

Um pedido de liberdade é diferente de um recurso contra o exequatur, de uma contestação da decisão final do Governo, de procedimentos de asilo ou afastamento e de um recurso relativo a um MDE. Os fundamentos e prazos são diferentes; a libertação não suspende automaticamente a extradição. Consulte o guia belga sobre recursos.

As primeiras 72 horas: plano prático para a pessoa e a família

Este é um plano prático, não um prazo legal. A regra das 48 horas para apresentação ao juiz de instrução só se aplica se o procedimento de MDE for aplicável.

  1. Identifique o instrumento. Obtenha o mandado, a declaração escrita dos direitos, o Estado requerente, a autoridade emissora e o número do processo; peça ao advogado que obtenha os documentos em falta.
  2. Confirme o local de detenção. Uma detenção no aeroporto pode ser seguida de transferência; não presuma que a pessoa está em Jamioulx.
  3. Organize advogado e intérprete. Diga ao advogado que línguas a pessoa compreende. Num MDE, a lei prevê uma declaração escrita dos direitos, assistência de advogado, intérprete e apresentação a um juiz no prazo de 48 horas. O consentimento à entrega e a renúncia a uma audiência são atos processuais diferentes. Não assine nenhum deles antes de o advogado, com intérprete, explicar separadamente os respetivos efeitos jurídicos.
  4. Guarde datas e documentos. Registe a hora da detenção, as datas de notificação, decisões e avisos de audiência. Os prazos podem começar com a detenção, a notificação, a receção dos documentos ou a comunicação de uma decisão; estes momentos são diferentes.
  5. Reúna provas. Prepare documentos de identidade, uma decisão definitiva anterior sobre os mesmos factos, documentação médica pertinente e provas fiáveis de riscos específicos. Não altere documentos nem combine declarações de testemunhas.
  6. Confirme o próximo passo. Pergunte qual o tribunal que tem o processo, qual o fundamento atual da detenção, se há audiência marcada e qual o próximo prazo em curso.

O que a família deve saber sobre a Prison de Jamioulx

O Serviço Público Federal de Justiça indica o endereço da Prison de Jamioulx: Rue Fr. Vandamme 172, 6120 Jamioulx. As visitas têm de ser reservadas antecipadamente pelo número 071 21 21 35, entre as 17:00 e as 20:00; as visitas dos advogados estão indicadas diariamente das 07:00 às 20:30. Confirme as regras atuais antes de viajar.

Uma visita familiar não substitui uma reunião confidencial com o advogado. Forneça ao advogado o nome, a data de nascimento, a nacionalidade, a língua, a data da detenção e a referência do processo. Confirme o estabelecimento efetivo antes de reservar. O horário da secretaria não é uma data de audiência e não prova que o processo já chegou ao tribunal.

Exemplo hipotético e documentos a preparar

Hipótese: um viajante é parado no aeroporto Brussels South Charleroi após um alerta proveniente de um Estado não pertencente à UE. É necessário apurar se existe um mandado provisório ao abrigo do artigo 5.º, se o mandado estrangeiro foi declarado executável ao abrigo do artigo 3.º e qual o documento que fundamenta a detenção. A chambre du conseil pode tratar do exequatur; o parecer do artigo 3.º cabe à Cour d’appel de Mons. Se o alerta executar um MDE, aplicam-se os prazos do MDE. Obtenha o auto de detenção e o mandado antes de escolher um recurso.

  • Nome completo, data de nascimento e nacionalidade.
  • Hora e local exatos da detenção.
  • Mandado, MDE, referência da Notificação Vermelha ou declaração escrita dos direitos.
  • Estado requerente, autoridade emissora, número do processo e língua da pessoa.
  • Local atual de detenção e data conhecida de audiência ou notificação.
  • Decisão definitiva anterior sobre os mesmos factos, processo pendente na Bélgica ou documentos de identidade.
  • Documentos médicos pertinentes ou provas concretas de riscos em caso de entrega.
  • Contactos dos advogados já constituídos, se existirem.

Perguntas sobre extradição em Charleroi

O tribunal de primeira instância de Charleroi toma a decisão final de extradição?

Não. Na extradição comum, a chambre du conseil pode declarar executável o mandado estrangeiro e a chambre des mises en accusation da Cour d’appel de Mons emite o parecer previsto no artigo 3.º. A decisão final do Governo é separada.

Todas as pessoas detidas no aeroporto de Charleroi são levadas para a Prison de Jamioulx?

Não. Antes de organizar uma visita, confirme o local efetivo de detenção através do advogado ou da autoridade responsável.

Uma Notificação Vermelha da INTERPOL é o mesmo que um MDE?

Não. Uma Notificação Vermelha é um alerta da INTERPOL; um MDE é uma decisão judicial utilizada para entrega entre Estados-Membros da União Europeia. Pergunte qual o instrumento subjacente à detenção.

A família pode calcular o prazo a partir do dia em que soube da detenção?

Não com segurança. Os prazos podem contar-se desde a detenção, a notificação formal, a receção dos documentos ou a comunicação de uma decisão. Obtenha os documentos oficiais e calcule o prazo aplicável com o advogado.

Fontes e informação oficial

Para avaliar um caso concreto, contacte a equipa sobre o assunto, junte os documentos disponíveis e indique o próximo prazo.

Última atualização: 2026-10-27

Autor: Razmik Khachatrian

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